Blog do Mulheres de Esperança

Não apresse o luto

Susie Pek

Quem me conhece sabe que nunca tive dificuldade em falar sobre perdas, morte, o processo da despedida ou sobre o luto. Cada perda tem sua história, seus impactos, suas dores, seus vazios, suas perguntas incômodas, suas lágrimas e reflexões. Tudo isso e muito mais faz parte do processo de luto. Isso não quer dizer que goste de nada disso! A começar pela palavra: luto. Não sei se não gosto dela por sua sonoridade ou pelo que ela representa: uma caverna sombria, longa, gélida e solitária.  Entretanto, reconheço que é um processo necessário e saudável. Lidar com a separação é o reconhecimento de que algo real e profundo aconteceu. Nossa vida mudou. Nossa estrutura familiar mudou. Nosso círculo de amizade diminuiu. Passamos a reestruturar nossa vida sem a presença de quem tanto amamos.


Entretanto, parece que tudo se acelera num momento em que nosso coração pede lentidão. Temos prazos curtos para lidar com os aspectos burocráticos da perda. Alguns têm um curto espaço de tempo para deixar o imóvel ou o estilo de vida que não cabem mais no bolso. E em alguns casos, os familiares precisam esvaziar a casa repleta de história e memórias em questão de semanas.  


Há muita atividade nos bastidores da perda. O processo de luto é indesejável, mas necessário. As mudanças realizadas em nossa vida em função da perda nos contam sobre a realidade de nosso novo momento. O luto tem seu próprio ritmo para lidarmos com nossas emoções, nossos ajustes e nossos recomeços. Felizmente esse prazo é maior que os dos processos burocráticos. Além disso, só há uma maneira de superá-lo: passando por ele.  Um caminho cheio de altos e baixos. Podemos estar muito abatidas num dia. Super tranquilas no outro. Num dia ‘normal’ seremos surpreendidas com uma dor repentina que vai embora com a mesma facilidade que surgiu. Muitas vezes vamos nos sentir esquisitas. Algumas outras teremos vontade de nos esconder. Tudo isso faz parte do processo. 


O consolo é que em todas essas ocasiões contamos com o Senhor que diariamente leva os nossos fardos. (Salmo 68.19). Quando a coisa aperta, podemos clamar por sua ajuda, pois  “O Senhor está perto de todos os que o invocam, de todos os que o invocam com sinceridade.” (Salmo 145.18). Ele recebe as nossas lágrimas. “Registra, tu mesmo, o meu lamento; recolhe as minhas lágrimas em teu odre; acaso não estão anotadas em teu livro?” Salmo 56.8 O luto é chato, mas nos ensina, nos transforma e refina. Não apresse seu processo. Apenas corra para os braços de Jesus, nosso Deus, socorro bem presente na angústia.


No amor do Senhor,

 

Susie Pek  - Coordenadora do Mulheres de Esperança RTM Brasil, América Latina & Caribe 

Compartilhe