Reportagem TAVA-Í 2010
Existem algumas pessoas que dispõem do seu tempo e dinheiro para irem a lugares distantes simplesmente por causa do amor e da solidariedade. Esses homens e mulheres geralmente gastam o período em que estariam descansando para aplicarem seus conhecimentos e habilidades ou se envolverem em outras atividades, para ajudar uma comunidade necessitada. Esse foi o caso do grupo de evangélicos brasileiros de São Paulo que esteve na pequena cidade de Tava-í, estado de Caazapá, no Paraguai, entre os dias 05 e 08 de Janeiro. A viagem foi liderada pela Igreja Batista Nações Unidas.
O departamento, ou estado, de Alto Paraná é o segundo mais populoso do Paraguai e faz fronteira com o estado do Paraná, no Brasil. É lá que fica Ciduad del Este, conhecida por fazer divisa com Foz do Iguaçú e ser alvo de brasileiros ávidos pelos baixos preços dos produtos eletrônicos. Nessa região, mora o pastor Ramon Aguero que durante anos plantou Igrejas em cidades com forte presença brasileira, como Naranjal e Santa Rita. Agora, enfrenta um novo desafio: divulgar o evangelho em um dos locais mais pobres do Paraguai e da América Latina, o departamento de Caazapá, onde fica a pequena cidade de Tava-í.
Na região, as casas são de madeira com telhado de zinco e as pessoas têm pouco acesso a serviços básicos, principalmente atendimento na área de saúde. Além disso, o misticismo e a superstição sempre dominaram a região. Há alguns anos, o Pastor Ramon começou seu trabalho neste lugar. Na época, a cidade não tinha água encanada nem energia elétrica na época. Hoje, a Igreja local já tem terreno, templo, banheiros e cozinha próprias. A cidade também foi beneficiada pelo desenvolvimento, com a chegada de água encanada e energia elétrica. E em breve terá uma clínica médica e odontológica. As pessoas, No entanto, continuam sem acesso à vários serviços. Aí entrou a ajuda brasileira.
A missão que esteve no Paraguai foi dividida em três frentes de trabalho: evangelização de crianças através da música, “palhaçadas” e esportes; atendimento médico e odontológico; construção de uma clínica que poderá receber médicos e dentistas.
Os dias foram difíceis. Quem construía trabalhava debaixo de um forte sol. As condições para os dentistas estavam longe de serem as ideais, mas o amor pelo povo sofrido com dores nos dentes era maior. Até a barreira da língua os voluntários brasileiros precisaram enfrentar, porque o espanhol, parecido com o português, não é a mais falada na região. O guarani é o idioma que as crianças aprendem a falar desde cedo e que domina em Tava-í.
A recompensa, porém, não demorou para chegar. A mãe de uma criança com meningite chegou certo dia aos prantos, agradecendo aos líderes. Todos os dentistas da região haviam se recusado a tratar da menina. A nossa equipe, porém, a recebeu de braços abertos. Outras pessoas ficaram impressionadas com a mensagem e o amor dos missionários, e por isso decidiram começar a frequentar a Igreja.
A saída de Tava-í foi emocionante. Com músicas em espanhol, guarani e português, houve muito choro, despedidas e desejo de contribuir mais com o crescimento local. A viagem, porém, ainda reservava outras surpresas.
No caminho de volta, o grupo fez uma visita à tribo indígena Aché, na comunidade de Puerto Barras, ainda no Paraguai, e que emocionou todos os integrantes. 85% da pequena população é convertida ao Evangelho, mas nem sempre foi assim. Um missionário teve que dedicar sua vida para levar a mensagem de Jesus àquelas pessoas. Antes da sua chegada, eram 30 achés que viviam no mato, fugindo de fazendeiros que queriam escravizá-los. As crianças que ficavam órfãs tinha um triste fim: eram mortas e enterradas junto com seus pais, vítimas de armas de fogo ou de animais selvagens. Os Achés até compuseram uma canção de lamento para expressar sua tristeza com essa situação. No entanto, houve transformação. A comunidade cresceu, tanto através dos filhos como de outros indígenas convertidos ao Evangelho. Hoje, pouco mais de 150 pessoas vivem e trabalham na comunidade de Puerto Barras. Sua economia é baseada na soja, mas também existem porcos, galinhas, cabras e outos animais criados para o consumo interno.
O Evangelho transforma. Divulgá-lo e vivê-lo em comunidades carentes, tanto de Jesus quanto de serviços básicos, é uma experiência que marca, não apenas quem recebe, mas também quem se doa.
Para mais informações,
ouça aqui a reportagem que André Castilho, representante da RTM na viagem, fez sobre esse trabalho missionário voluntário.